quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A olhos nada vistos

E então começou devagar. O nada foi chegando. Tomando conta de tudo. Lentamente se movia. Todo branco. Ia escorrendo, deslizando por ruas escuras. Tinha uma espessa textura. Uma forma estranha de reentrâncias e relevos, que oscilavam, ora retos, ora curvos. Tudo o que tocava, em nada se transformava. Envolvia tudo o que via. Até que tudo se transformou em nada, por completo. Pessoas, casas, cores, o abstrato e o concreto. Nada era só o que havia. Nada era o que restava. Somente nada era o que existia. Quis ficar ali por uns instantes. Observando a sensação que exalava do vazio. Sentiu calma, quietude e paz. Em nada mais pensava, almejava ou temia. Estava neutra. Abstraída. Absorta. Sentido-o assim, puro, pleno e repleto. Percebeu que ali onde estava, naquele momento, nada era ou seria. O nada era o que realmente importava. E nada era o que realmente precisava, para compreender aquilo que um dia tudo significaria.


"Nothing I am, nothing I dream, nothing is new. 
Nothing I think, or believe in or say. Nothing is true... "

7 comentários:

Flá Costa * disse...

larissa querida, escrever depois dessa sua obra prima é praticamente manchar seu trabalho.

adoro o jeito que você escreve. e tô precisando sentir um pouco desse nada (tão tudo!)

beijoca

Luis Gustavo Brito Dias disse...

- a essência da alma. o contato com o cosmo. com o que é eterno e natural.

que lindo mantra. alimento dos mais raros.


precisamos conversar sobre tudo isso, hein.

Tatiana disse...

é preciso existir o NADA para que TUDO aconteça!

Fred Caju disse...

Do caralho, tenho um carinho especial pelo nada, fonte maior da poesia.

Dani disse...

O nada pode ser tudo.

Dy disse...

Sempre tenho a ideia, que nada é tudo o que um dia significou.

Paulo_Sotter disse...

Eu tinha tanto a falar, mas não restou nada depois do texto, porém um nada com significado que um dia se poderá compreender. O nada do silêncio de quem lê e gosta do que lê. Sigo teu blog. Um abraço

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