sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O que está, é e somos

O que há fora de mim
Fora de mim não há
Se assim o sinto situado
É porque situado em mim está

O todo de um mundo
Se faz na efígie de um conjunto
Que concede ao não saber
O rumo de se deixar levar

Repetir o não dito
É dizer para si mesmo
Que o tempo decorrido
Desloca a memória para integrar

O que não se lembra se engana
Condicionado e alinhado
Ao tudo de um todo
Que se divide para somar

A unidade multiplicativa do que sou
Corre num fluxo contínuo do que somos
E na margem que irradia o que foi
Se observa a verdade absorta que negamos

4 comentários:

Pri Dotta disse...

Ual, incrível! AMEI de verdade, um dos melhores que li.

...
''Repetir o não dito
É dizer para si mesmo
Que o tempo decorrido
Desloca a memória para integrar''
...
''Se observa a verdade absorta que negamos''
...

Puramente verdadeiro. Parabéns, Larissa! ^^
Grande beijo! ;*

Raquel Consorte disse...

"Se observa a verdade absorta que negamos" lindo!

Beijão

Jota Effe Esse disse...

Achei meio complicado o teu poema, mas tá valendo! Meu beijo.

Marcos Satoru Kawanami disse...

Talvez tenha a ver com uma frase do livro Enredo do Mundo: "Quando ele nasceu, e todos nasceram, e o mundo foi criado.".
Eu escrevi este livro em Ouro Preto, em 1995, aos 19 anos de idade, mó porraloquismo.
Teu modo de pensar converge para o que penso em alguns pontos. Ao nível da intuição. Da razão, não sei.

Licença Creative Commons
Blog de Larissa Bello é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.