domingo, 11 de março de 2012

A transgressão como condição

Chaplin sabia que ao se tornar diretor e assumir o processo de edição, estaria definitivamente ganhando controle sobre o personagem, podendo agora ampliar seu registro cômico.

Como um cineasta completo e versátil, concentrou-se na dinâmica física de Carlitos. Cada movimento encontrava um novo escopo, metamorfoseando-se em coreografia, e quanto mais errática a trajetória, mais precisamente regulada sua mecânica. Uma perseguição, uma tímida contorção, um passo bêbado ou um pas de deux em um clinch de boxe: a colocação do corpo de Carlitos em movimento pautava-se por todo um vocabulário expressivo, manifestando toda uma gama de sentimentos. Nessa pantomina profundamente elaborada, o corpo em movimento "fala".

Ao introduzir elementos de um mundo surreal à existência cotidiana de Carlitos, Chaplin testaria ainda a exploração de possibilidades narrativas nas mais improváveis situações. A retórica do sonho desempenha importante papel aqui, libertando Carlitos das restrições impostas pela realidade, na medida em que desencadeia o potencial do mise en scène. O resultado, porém, é sempre um despertar doloroso. Os sonhos representam uma incursão no domínio privado de Carlitos, o palco para a sua autorrealização, o transgredir de sua verdadeira condição.

(texto "Chaplin como cineasta", em cartaz na exposição*)






De 07 de março a 29 de abril
Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica
Rio de Janeiro / 2012

sábado, 3 de março de 2012

Antes de existir a voz existia o silêncio*

*Arnaldo Antunes / Música: O Silêncio



Filme: O Artista, vencedor do Oscar de Melhor Filme 2012
Diretor: Michael Hazanavicius

sábado, 25 de fevereiro de 2012

À deriva do acaso


Nuances de pequenas verdades
Que verdadeiras ou não
Internalizam vários pensamentos

Mundos paralelos, congruentes,
Divergentes de realidades presentes
Aparentes ou indiferentes

Seguem à deriva a vida derivada
Por contornos transtornados
Transformadas em nada mais de um tudo
Que não precisa mais ser

Acasos que ocasionam e revelam
Manifestações latentes de desejos
Lampejos de um sentir sem dizer
Iminentes do que acontece sem acontecer

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Um passado (ainda) presente


Fez-se um silêncio profundo. Depois foi pra bem longe. Tanto que conseguiu ver o que estava perto demais para enxergar.

O doce é amargo
O calor é frio
O incômodo não incomoda
O turbilhão é calmaria

Muda sem se mover
Basta estar sem ser
Para imunizar o querer

E assim, o presente se torna, diariamente, um passado. Que ainda precisa, insistentemente, ser lembrado. Mas, que num futuro, breve em mente, irá passar de vez e será para sempre apagado.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Voar sem ecoar

Pássaros sobrevoam à frente da minha janela
Em um céu azul pálido e brilhante
Circulam plainando suaves e tranquilos
Rompem o que sinto naquele instante

Me conduzem a um despertar
A essência do que se quer viver sem dizer
A enlouquência acalmada à contemplar
Tudo que cerca e rodeia
Tudo que entristece delineia

O tempo que machuca aperfeiçoa
Dores e feridas inconsoladas
Rasgam a alma que depois remendada
Pulsa um coração que bate mas não mais ecoa

domingo, 5 de fevereiro de 2012

The hours

The Hours Suicide Note by Nicole Kidman on Grooveshark

"Dear Leonard,

To look life in the face, always, to look life in the face and to know it for what it is.
At last to know it, to love it for what it is, and then, to put it away.
Leonard, always the years between us, always the years.
Always the love. Always the hours." 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

É preciso falar de Kevin

"Só porque nos acostumamos com algo, não significa que gostamos daquilo"

Kevin, para a mãe, aos oito anos de idade.
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